sábado, janeiro 23, 2016

Carta a um antigo amor

Às vezes sinto vontade de te ligar. Mesmo lembrando tudo que passamos juntos, a saudade vez ou outra bate. Eu devo ter apagado seletivamente as coisas ruins que nos aconteceram e minha mente estúpida cisma em me lembrar somente o quanto te amei. 

Amei como se nunca fosse precisar olhar para outra pessoa na vida. Te quis da forma mais inocente possível. Fiquei completamente imersa em nosso mundinho e de lá eu não conseguia enxergar um terço da verdade. Não conseguia ou apenas não queria acordar do que me parecia ser o mais tranquilo dos sonhos. Você foi a pessoa a quem confiei segredos, sonhos e desejos. Meus medos fiz questão de guarda-los em uma caixinha e a esconder muito bem de mim mesma. 

Tu não tinha o direito de desvendar minhas mais profundas camadas e sair ileso me deixando exposta dessa forma. A dor física que senti me impediu por dias de me recompor. Precisei de ajuda e não poderia pedir a sua. Não poder te ligar, nem mandar mensagem, muito menos aparecer inesperadamente a sua porta me correu por dentro. Ainda corrói. Ainda dói. 

Não me sinto cem por cento bem, mas não tenho mais pedaços meus espalhados pela casa. Juntei todos, aos poucos, e agora posso enxergar as coisas de outro modo. Sei que estamos em páginas completamente diferentes agora e tudo que sinto não faz a menor diferença para você, mas te desejo do fundo do coração que tu sejas capaz de encontrar a paz que tanto procura. Que nos braços de outra pessoa tu consiga realizar teus sonhos. Que goste de acordar ao lado dela. E que mande flores em dias normais. 

Esta carta servirá também para te agradecer por tudo que me fez passar. Obrigado por ter me mostrado o tipo de cara que não devo gostar, por ter ajudado a me descobrir e, principalmente, por ter saído tão cedo da minha vida.

Com amor,



Alice.

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